O sol batia em cheio sobre a calçada de pedra portuguesa, e o calor de fim de tarde fazia o suor escorrer pelo peito nu de Tomás. Ele segurava a mangueira com uma mão e na outra o balde com água ensaboada, os músculos dos braços tensos enquanto esfregava a esponja sobre o capô preto brilhante do Mercedes-AMG GT. O carro de Tiago — o seu pai, como ele chamava em segredo, nos momentos em que ficavam sozinhos — valia mais do que tudo o que Tomás tinha visto na vida inteira.
Tiago era dono de uma multinacional de tecnologia. Cinquenta e dois anos, cabelo grisalho cortado com precisão militar, barba aparada e um corpo que mantinha com personal trainer diário e disciplina de aço. Os ombros largos preenchiam o terno sob medida como se o tecido tivesse sido criado apenas para ele. Os olhos castanhos escuros tinham aquele brilho de quem está habituado a dar ordens e ser obedecido.
Tomás tinha vinte e três anos. Estagiário na empresa de Tiago, acabara por chamar a atenção do patrão durante um evento corporativo. Algo no seu sorriso, na forma como desviava o olhar quando Tiago o observava, na maneira como a camisa se lhe colava ao corpo esguio. Tiago gostava de coisas bonitas. E Tomás era, sem dúvida, uma coisa bonita — magro mas com definição, pele morena, lábios cheios e um rabo que fazia voltar cabeças.
Naquela tarde, Tomás lavava o carro na garagem aberta da propriedade de Tiago, uma vivenda de luxo em Sintra com vista para a serra. Usava apenas uns calções de banho encharcados que se lhe colavam às coxas e deixavam pouco à imaginação. A água escorria-lhe pelo abdómen definido, pelos pêlos escuros que desciam do umbigo até à cintura dos calções.
Tiago saiu de casa. Calçava uns loafers castanhos de couro italiano e vestia uma camisa de linho branca com as mangas arregaçadas, deixando à vista os antebraços musculosos e o relógio Patek Philippe no pulso esquerdo. Parou a poucos metros de Tomás, apoiou-se na coluna de mármore e cruzou os braços.
— Estás a fazer um bom trabalho — disse Tiago, a voz grave e controlada, o tom de quem avalia um funcionário e não um amante.
Tomás largou a esponja no balde. A água ensaboada salpicou os calções já encharcados.
— Obrigado, senhor Tiago — respondeu, limpando a testa com as costas da mão. O coração acelerou-lhe no peito, como sempre acontecia quando ficava sozinho com ele.
Tiago deu alguns passos lentos, aproximando-se. Os olhos percorreram o corpo de Tomás de cima a baixo, demorando-se no peito molhado, nos mamilos escuros endurecidos pelo frescor da água, na linha de pêlos que desaparecia sob o tecido encharcado.
— Não precisas de me chamar senhor quando estamos aqui — disse Tiago, parando mesmo ao lado do Mercedes. Passou a ponta do dedo indicador sobre o capô, verificando se havia poeira. — Mas gosto de te ver assim. A trabalhar.
Tomás engoliu em seco. O pau mexeu-se-lhe nos calções, um movimento involuntário que ele esperou que Tiago não tivesse notado. Mas Tiago notava tudo.
— O carro está quase pronto — disse Tomás, pegando na mangueira para se ocupar com qualquer coisa. As mãos tremiam-lhe ligeiramente.
Tiago tirou os óculos escuros e colocou-os no bolso da camisa. Aproximou-se mais. O cheiro da sua colónia — algo amadeirado, caro, com notas de couro e tabaco — misturou-se com o cheiro a sabão e a água.
— Vem cá — disse Tiago, a voz mais baixa, quase um sussurro.
Tomás largou a mangueira. A água caiu no chão de pedra, formando poças que refletiram o céu azul. Caminhou até Tiago, parando a meio metro dele. Olhou para cima — Tiago era mais alto, mais largo, e o facto de estar descalço não diminuía a autoridade que emanava.
Tiago levantou a mão direita e pousou-a no ombro de Tomás. O toque era quente, firme. O polegar roçou a pele molhada, subindo até ao pescoço.
— Estás todo molhado — disse Tiago, sem desviar os olhos dos de Tomás.
— Estava a lavar o carro do meu… do seu carro — gaguejou Tomás.
Tiago sorriu. Um sorriso lento, controlado, de quem sabe exatamente o efeito que causa.
— Do teu quê? — perguntou, a mão descendo do ombro para o peito de Tomás, parando sobre o mamilo esquerdo. — Diz bem.
Tomás fechou os olhos por um segundo. O toque de Tiago queimava-lhe a pele apesar de estar molhada de água fria.
— Do meu pai — disse Tomás, a voz saindo-lhe mais baixa do que pretendia.
Tiago apertou o mamilo entre o polegar e o indicador. Um gesto pequeno, preciso, que fez o pau de Tomás endurecer completamente nos calções encharcados. O tecido fino não escondia nada — a forma da cabeça, o comprimento, a dureza.
— Isso mesmo — disse Tiago. — O teu pai.
Tiago puxou Tomás pela cintura e empurrou-o contra o capô do Mercedes. A pintura preta estava quente do sol, e as costas de Tomás arrefeceram contra o metal. Tiago ficou entre as suas pernas, que se abriram instintivamente. As coxas de Tiago, cobertas pelo tecido das calças de linho, roçaram nas coxas nuas de Tomás.
— Sabes quanto custa este carro? — perguntou Tiago, as mãos pousando nos lados do corpo de Tomás, os polegares roçando as costelas.
— Sei — respondeu Tomás, os olhos presos aos de Tiago.
— E mesmo assim deitas-te em cima dele como se fosse teu — disse Tiago, inclinando-se. A boca ficou a centímetros da de Tomás. — Mas é. Tudo o que é meu é teu, não é?
Tomás não respondeu. Não conseguiu. Tiago colou os lábios aos dele e beijou-o. Um beijo lento, profundo, a língua de Tiago entrando na boca de Tomás com a autoridade de quem toma posse. Tomás abriu a boca, deixou-se invadir, as mãos subindo para os ombros de Tiago, agarrando a camisa de linho com os dedos molhados.
Tiago gemia baixinho na boca de Tomás. As mãos desceram das costelas para os quadris, agarraram os calções encharcados e puxaram-nos para baixo com um movimento brusco. O pau de Tomás saltou livre, duro, a ponta já húmida de líquido pré-seminal. Tiago olhou para baixo, sorriu.
— O meu menino gosta disto — disse Tiago, envolvendo o pau de Tomás com a mão direita. O calor da mão contrastava com a frescura da água na pele. — Gosta de estar à frente do pai, não gosta?
Tomás arqueou as costas contra o capô do Mercedes. O metal rangeu ligeiramente sob o seu peso. Tiago começou a punhetar-lhe o pau com movimentos lentos, controlados, o polegar fazendo círculos na glande a cada subida.
— Sim, pai — disse Tomás, a voz embargada. — Gosto.
Tiago soltou-lhe o pau e desceu a mão até ao rabo de Tomás. Apertou as nádegas com força, separando-as. O dedo médio encontrou o buraco apertado e pressionou, sem penetrar, apenas testando a resistência.
— Vou-te comer aqui — disse Tiago, olhando para o carro de luxo e depois para Tomás. — Em cima do meu carro. E tu vais deixar.
Tomás não disse nada. Apenas abriu mais as pernas, oferecendo-se. O sol continuava a bater, a água continuava a escorrer da mangueira abandonada no chão, e o silêncio da serra de Sintra envolvia tudo como um manto.