O pó vermelho subiu em espirais preguiçosas quando o Ford Model T de Chester Bigguns parou diante da única bomba de gasolina de Stiff Creek. O motor tossiu duas vezes antes de morrer, como um velho cuspindo o último fôlego. Chester limpou o suor da testa com as costas da mão e olhou a rua principal — trinta metros de madeira apodrecendo sob o sol de agosto, um saloon sem placa, uma mercearia com a tela da porta rasgada, e três velhos sentados na calçada como corvos esperando que algo morresse.
Stiff Creek, Texas. População oitenta e sete almas, segundo o cartão amassado que o correio lhe entregara em Dallas. Chester viera para cá porque ninguém mais quisera comprar o terreno com o poço seco, e ele precisava de um lugar onde o nome Bigguns não significasse nada.
Peggy Moorcombe apareceu na porta da mercearia antes mesmo de ele sair do carro. Vestido de algodão azul, cabelo castanho preso numa trança que lhe caía sobre o ombro como uma corda de navio. Ela carregava um saco de farinha contra o quadril e parou no degrau de madeira, observando-o com aqueles olhos cor de avelã que pareciam calcular alguma coisa. Chester tirou o chapéu por instinto.
— Você deve ser o que comprou a terra do velho Hargrove — ela disse, sem pergunta na voz.
— Chester Bigguns. — Ele estendeu a mão, mas o saco de farinha ocupava a dela. Ela apenas acenou com o queixo na direção do saloon.
— Meu pai vai querer conhecê-lo. Ele é o xerife aqui. Ou juiz. Ou padre, quando precisa. Dependendo do que você fez.
Chester riu, mas ela já tinha virado costas e desaparecido pelo beco entre a mercearia e a ferraria. O cheiro de farinha e suor feminino ficou pairando no ar quente como uma assinatura.
Naquela noite, no único quarto alugável da pensão da Sra. Whitfield, Chester sentou-se na beira da cama de colchão de palha e tirou as botas. Os pés estavam cobertos de bolhas do trajeto desde a estação de trem em Abilene — quarenta milhas de estrada de terra que o Ford percorrera em seis horas de pulos e sacolejos. Pelas paredes finas, ouvia a Sra. Whitfield conversando com alguém no corredor. O nome “Peggy” apareceu duas vezes. Depois “provação”. Depois risos abafados.
Chester franziu o cenho. Provação. A palavra tinha o peso de algo específico, algo que as pessoas de Stiff Creek sabiam reconhecer sem explicação. Ele deitou-se com as mãos atrás da cabeça e ficou olhando o teto manchado de umidade, pensando no rosto de Peggy Moorcombe e naqueles olhos que mediam, calculavam, decidiam.
Na manhã seguinte, o pai dela apareceu.
Rufus Moorcombe não bateu na porta. Abriu-a como se a pensão fosse extensão da sua própria casa. Era um homem de cinquenta e poucos anos, ombros largos como uma arara de vaqueiro, bigode grisalho caindo sobre os lábios, e olhos de um azul tão claro que pareciam lavados em água sanitária. Usava um chapéu de feltro preto e uma camisa de flanela com dois botões abertos no peito, revelando pelos grisalhos e uma cicatriz que cruzava a clavícula.
— Bigguns — ele disse, não como cumprimento, mas como confirmação. — Levanta. Vamos dar um passeio.
Chester olhou para suas botas ainda úmidas de suor, depois para Rufus, depois para a janela onde o sol já batia com força. Vestiu as botas sem reclamar.
Caminharam em silêncio pela rua principal, passaram pelos três velhos que agora pareciam adormecidos nos mesmos lugares, e dobraram atrás da ferraria. O terreno subiu gradualmente, a terra vermelha dando lugar a pedras e arbustos espinhosos. Rufus caminhava na frente, o passo longo de quem conhecia cada pedra e cada raiz no caminho. Chester seguia-o, observando a maneira como a camisa de flanela se grudava às costas largas com suor, como as calças de brim moldavam coxas grossas de quem passara a vida montando cercas e laçando gado.
Eles pararam numa clareira cercada por carvalhos retorcidos. Um riacho fino corria entre as pedras, e a sombra era densa o suficiente para que o ar esfriasse alguns graus. Rufus virou-se e olhou Chester de cima a baixo com aqueles olhos desbotados.
— Minha filha disse que você tirou o chapéu quando a viu. Disse que tem mãos grandes e que não cuspiu na calçada. — Rufus pausou, levou a mão ao cinto e afrouxou a fivela. — Aqui em Stiff Creek, um homem que quer cortejar uma Moorcombe passa por uma provação. Não é negócio para fraco.
Chester engoliu em seco. O riacho fazia barulho de papel amassado. Rufus deu um passo à frente, e Chester sentiu o cheiro dele — suor, couro, tabaco, e algo mais profundo, algo de animal.
— Que tipo de provação? — Chester perguntou, e a voz saiu mais rouca do que ele pretendia.
Rufus não respondeu com palavras. A mão direita subiu e agarrou a nuca de Chester com uma pressão firme, os dedos grossos enterrando-se no músculo como ganchos de açougueiro. Puxou-o para perto — não com violência, mas com a certeza de alguém que já fizera aquilo muitas vezes. O rosto barbado de Rufus parou a centímetros do dele, e Chester viu as linhas vermelhas nos olhos claros, o dente de ouro no canto esquerdo da boca, o nariz torto de quem levara socos.
— O tipo que diz se você aguenta — Rufus sussurrou, e o hálito de tabaco bateu no rosto de Chester como vapor de locomotiva.
A boca de Rufus cobriu a dele. Não foi um beijo delicado — foi uma invasão, a língua espessa empurrando entre os lábios de Chester com a insistência de quem arromba uma porta. Chester ficou rígido, os braços caídos ao longo do corpo, o chapéu caindo na grama seca. A língua de Rufus explorou a boca dele com movimentos lentos e deliberados, mapeando dentes, gengivas, o céu da boca, como se provasse um animal antes de comprá-lo.
Chester não recuou. Seus olhos ficaram abertos por um instante, vendo os olhos desbotados de Rufus a centímetros dos seus, as pestanas grisalhas, as rugas profundas ao redor das pálpebras. Depois fechou-os. A mão de Rufus apertou a nuca com mais força, e Chester sentiu o pau dele endurecer dentro das calças, rápido e impossível de ignorar, um calor que subiu do estômago e espalhou-se pela virilha como fogo em palha seca.
Rufus interrompeu o beijo e deu um passo atrás. Olhou para a frente das calças de Chester, onde o volume era agora inequívoco, o pano esticado sobre uma ereção que apontava para a esquerda. Um canto da boca de Rufus subiu — não um sorriso, mas uma marca de confirmação, como um fazendeiro examinando um bezerro e achando-o dentro dos padrões.
— Primeiro teste — Rufus disse. — Você não recuou.
A mão de Rufus desceu da nuca para o ombro de Chester, depois para o peito, e empurrou-o gentilmente contra o tronco do carvalho mais próximo. As costas de Chester bateram na casca áspera, e ele arqueou levemente, sentindo a textura raspar contra a camisa de algodão fina. Rufus ajoelhou-se diante dele com a facilidade de um homem que se agacha para examinar uma roda de carroça — sem cerimônia, sem hesitação.
As mãos de Rufus foram direto à fivela do cinto de Chester. Os dedos trabalharam com a destreza de quem já soltara mil fivelas, e o cinturão caiu nas pedras com um ruído metálico. O botão das calças veio em seguida, depois o zíper, e Rufus puxou o brim para baixo com um movimento só, expondo o pau duro de Chester apontando para o céu através do tecido fino da cueca. A mancha de líquido pré-seminal já escurecia o algodão.
Rufus olhou aquilo como quem avalia uma ferramenta. Passou o polegar sobre a mancha, espalmando o líquido, e Chester contraiu os músculos do abdômen, os dedos agarrando a casca do carvalho atrás de si. Rufus puxou a cueca para baixo. O pau de Chester saltou para fora, duro, a glande vermelha e úmida, as veias pulsando ao longo do caule de dezoito centímetros. Rufus examinou-o por um momento, segurando-o na base com o polegar e o indicador, pesando-o como se pesasse um pedaço de carne no açougue.
— Tamanho aceitável — ele disse, e a voz era a mesma que usara para dizer “Bigguns” na pensão — neutra, avaliativa, sem calor.
Então a boca de Rufus desceu sobre o pau de Chester.
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