Aconteceu no Dark Room


O cheiro de suor, álcool e couro impregnava o ar do subsolo. A porta pesada de metal fechou-se atrás dele com um clique surdo, e por um instante, a escuridão foi absoluta — tão densa que parecia ter textura, peso, como se o próprio ar tivesse engrossado. Lucas piscou algumas vezes, os olhos tentando se ajustar à penumbra. Apenas uma luz vermelha, fraca, vinha de algum ponto distante do corredor estreito, projetando sombras longas nas paredes de concreto cru.

Ele respirou fundo. O peito subiu e desceu devagar, as costelas marcando contra a camiseta preta justa. As mãos encontraram a parede úmida à esquerda — sempre a esquerda, era o caminho — e os dedos percorreram a superfície áspera enquanto ele avançava em passos curtos, calculados. O barulho abafado da música vinda do andar superior vibrava no chão sob suas botas, um pulso grave e constante que entrava pelos calcanhares e subia pelas pernas.

O corredor desembocou num espaço mais amplo. Ali, a escuridão tinha nuances. Um vermelho difuso, como brasa de cigarro acesa, emanava de tiras de LED presas no teto, insuficiente para iluminar rostos mas suficiente para desenhar contornos — ombros largos, braços cruzados, uma silhueta encostada na parede do fundo. O ambiente cheirava a desinfetante misturado com musgo, e por baixo, algo mais quente, mais humano. Sexo. O cheiro inconfundível de excitação que se acumula em lugares como aquele.

Lucas parou. O couro da sua jaqueta rangeu quando ele cruzou os braços. Olhou em volta — ou tentou, com a visão limitada a formas vagas e movimentos lentos. Havia outras pessoas ali. Conseguia ouvir respirações mais pesadas, o roçar de tecido contra tecido, um gemido baixo que veio de algum canto à direita. Um som úmido, rítmico, inconfundível.

Ele engoliu em seco. O maxilar travou por um segundo antes de soltar. Não era a primeira vez que entrava numa sala escura, mas o corpo sempre reagia da mesma forma nos primeiros minutos — a tensão nos ombros, o coração acelerado batendo contra o esterno, os dedos levemente trêmulos. Era o desconhecido. A promessa de que qualquer coisa poderia acontecer, com qualquer um, sem nome, sem rosto, sem compromisso.

Deu mais alguns passos para dentro. A escuridão o engoliu como água morna. Ele encostou na parede do fundo, sentindo o concreto frio contra as omoplatas mesmo através da jaqueta. Ficou ali, respirando, esperando. Era assim que funcionava — você não procurava. Você ficava disponível.

Os minutos passaram em silêncio, exceto pelos sons abafados ao redor. Lucas fechou os olhos, embora fizesse pouca diferença. A mão direita descansava na prancheta do cinto, os dedos tocando a fivela de metal frio. O polegar traçava círculos lentos no couro.

Foi quando sentiu.

Não viu — não podia ver. Mas sentiu o deslocamento de ar à sua frente. Alguém se aproximando. O perfume chegou primeiro: sândalo, algo amadeirado, misturado com o cheiro quente de pele masculina. Depois, o calor. Um corpo grande, mais alto que o dele, parando a menos de um palmo de distância.

Lucas não se moveu. Ficou parado, os olhos ainda fechados, sentindo a presença como uma pressão contra o peito. A respiração do outro era mais alta que a dele, mais funda, e o ar quente que saía daquela boca invisível roçou a testa de Lucas em ondas regulares.

Uma mão tocou seu quadril. Grande, dedos longos, palma seca e quente. Não pediu permissão — simplesmente pousou, firme, os dedos apertando a carne acima do osso do quadril através do jeans. Lucas soltou o ar devagar, pelos lábios entreabertos. O toque era seguro, sem hesitação.

Outra mão. Lado oposto. Diferente da primeira — os dedos eram mais grossos, a pegada mais ampla, e havia algo áspero nos nós dos dedos, talvez calos. Lucas abriu os olhos. A escuridão vermelha revelou apenas formas: dois corpos, um de cada lado, ambos mais altos que ele por vários centímetros. Ombros que bloqueavam a luz fraca do teto. Peitos largos que ele podia sentir mesmo sem tocar.

A mão no quadril direito subiu. Devagar, traçando a lateral do tronco por cima da camiseta, parando logo abaixo da axila. O polegar encontrou a borda da costela e pressionou, testando. Lucas deixou a cabeça cair para trás contra a parede. O maxilar relaxou.

O segundo homem — o da mão áspera — se aproximou mais. O peito nu encostou no braço esquerdo de Lucas. Pele quente, levemente úmida de suor, com pelos densos no peitoral que roçavam contra o braço como lixa fina. O cheiro dele era diferente do primeiro: menos amadeirado, mais salgado, mais cru.

A mão esquerda desceu do quadril para a coxa. Apertou a parte interna, os dedos afundando no músculo através do jeans. Lucas abriu as pernas — um movimento mínimo, quase involuntário, os pés se afastando alguns centímetros no chão de concreto. O gesto não passou despercebido. A mão apertou mais forte, o polegar encontrando a virilha, pressionando contra a costura do jeans, contra o que já começava a endurecer por baixo.

O primeiro homem — o do sândalo — avançou. Ambas as mãos agora, uma em cada lado do rosto de Lucas, os polegares traçando a linha do maxilar. O rosto dele apareceu na penumbra: maxilar quadrado, barba curta, lábios cheios. Olhos escuros que brilhavam com a luz vermelha. Ele não sorriu. Apenas olhou, e depois inclinou a cabeça e colocou a boca em Lucas.

O beijo foi imediato. Língua que sabia a cerveja e a nicotina, que invadiu sem pedir, que pressionou contra a língua de Lucas e a dominou. Lucas abriu a boca mais, as mãos subindo instintivamente e encontrando peito — nu, quente, com pelos densos que se enroscavam nos dedos. Ele apertou. O homem gemeu na sua boca, o som vibrando entre os lábios.

Atrás dele, o segundo homem se colou às suas costas. O peito contra as costas de Lucas, o pau duro já visível mesmo através das calças, pressionando entre as nádegas. As mãos ásperas contornaram a cintura, encontraram o cinto, abriram a fivela com um clique metálico que ecoou no espaço escuro. O barulho do zíper sendo aberto soou alto demais, obsceno.

Lucas quebrou o beijo. A respiração saía em ofegos curtos, o peito subindo e descendo rápido. O primeiro homem recuou meio passo, os olhos descendo para a abertura das calças, onde a mão do segundo já tinha entrado e encontrado o pau duro, envolvendo-o com os dedos grossos.

O segundo homem puxou Lucas contra si, as costas contra o peito largo, e sussurrou algo perto do ouvido dele. A voz era grave, áspera, com sotaque que Lucas não identificou. As palavras não importavam — o tom era uma ordem. A mão no pau dele começou a bombear, devagar, o polegar passando na cabeça a cada subida, espalhando o líquido que já vazava.

O primeiro homem se ajoelhou. Lucas sentiu antes de ver — os joelhos batendo no chão, o hálito quente contra a barriga exposta quando a camiseta foi levantada, e depois a boca. Quente, úmida, engolindo a cabeça do pau com um gemido abafado. A língua traçou a coroa, encontrou o frenulo, pressionou.

Lucas jogou a cabeça para trás, batendo no ombro do homem atrás dele. As mãos dele encontraram o cabelo do homem ajoelhado — curto, raspado nas laterais, mais longo em cima — e apertaram. Os quadris balançaram para frente, empurrando mais fundo naquela boca. O homem aceitou, relaxou a garganta, engoliu.

O segundo homem continuava bombeando a base do pau enquanto o primeiro chupava, a mão livre subindo por baixo da camiseta de Lucas e encontrando o mamilo, apertando entre o indicador e o polegar. Lucas arqueou. O maxilar travou. Um som saiu dele — não um gemido, algo mais primitivo, mais gutural.

A música do andar superior vibrava no chão. Os gemidos dos outros cantos da sala escura continuavam. Mas Lucas já não ouvia nada além do sangue nos ouvidos e da respiração rouca dos dois homens que o tinham encurralado contra a parede.

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