Os homens do navio São Rafael viviam há quarenta e dois dias sem ver terra. O oceano era uma parede azul sem fim, e o convés rangia sob o sol implacável. Dentro do casco de aço, o ar era quente, denso, saturado de suor, óleo e desejo acumulado.
No alojamento dos praças, as luzes eram baixas. Trinta e oito beliches empilhados em três fileiras. Corpos nus ou semi-nus, peles bronzeadas pelo sol, músculos definidos pelo trabalho árduo. O primeiro-tenente Matias, trinta e dois anos, altura média, corpo compacto, tatuagem de âncora no antebraço esquerdo, caminhava entre as fileiras verificando o silêncio. Quando passava, os olhares seguiam-no.
Ele parou no beliche do cabo Diego, vinte e seis anos, pele morena, cabelo raspado, coxas grossas abertas enquanto folheava uma revista velha. Diego ergueu os olhos.
— Tenente — murmurou, voz rouca.
Matias não respondeu. Apenas fechou a cortina de lona que separava o beliche do corredor. O som do zíper ecoou como um convite. Diego já estava de joelhos no colchão estreito quando Matias baixou o cinto. O pau do tenente saltou duro, veias saltadas, cabeça rosada brilhando de pré-gozo. Diego engoliu sem hesitar, boca quente e molhada, língua pressionando a veia inferior enquanto engolia até o fundo da garganta.
Do beliche de cima, o marinheiro Lucas, dezenove anos, magro, pele clara, assistia em silêncio. Sua mão já estava dentro do short, punheta lenta, olhos fixos na cena. Quando Matias gozou, Diego engoliu tudo, garganta contraindo, um fio branco escapando pelo canto da boca. Lucas desceu sem ser chamado. Matias segurou a nuca dele e o forçou a lamber o resto do pau sujo de saliva e porra.
A noite seguinte foi diferente. O sargento Raul, quarenta anos, homem grande, barba cerrada, convocou cinco homens para o depósito de cordas no porão. Lá, entre cheiro de cânhamo e óleo, Raul abriu o macacão e mostrou o pau grosso, curvado para cima. O marinheiro novo, André, dezoito anos, foi o primeiro a ser dobrado sobre uma caixa de munição. Raul cuspiu na mão, passou os dedos grossos na entrada apertada do rapaz e empurrou devagar. André gemeu baixo, testa contra a madeira, enquanto o pau do sargento abria caminho centímetro a centímetro. Os outros três marinheiros assistiam, punhetando, esperando a vez.
Na sala de máquinas, o mecânico Vítor e o eletricista Bruno tinham uma rotina. Toda vez que o navio mudava de rumo, eles se encontravam atrás do gerador principal. Vítor, trinta e cinco anos, tatuagens no peito, segurava Bruno pelos quadris e metia fundo, rápido, sem piedade. O barulho das máquinas abafava os gemidos. Bruno gozava primeiro, jatos brancos na parede de metal, depois Vítor enchia ele por dentro, porra quente escorrendo pela coxa quando tirava o pau.
No convés superior, à noite, quando só restava a tripulação de quarto, o cozinheiro Paulo, trinta anos, atarracado, peludo, chamava o timoneiro Carlos para o leme. Paulo ajoelhava-se atrás do leme, abria o macacão de Carlos e chupava devagar, língua circulando a cabeça, enquanto o navio cortava as ondas. Carlos gozava na boca dele, depois virava Paulo contra a grade e o fodia de pé, uma mão na boca do cozinheiro para abafar os sons.
Os dias passavam. O desejo crescia. Às vezes dois homens se encontravam no chuveiro coletivo, corpos molhados, um ajoelhado, outro de pé com as mãos na parede de azulejo. Às vezes três ou quatro se juntavam no compartimento de carga vazio, um de quatro, outro na boca, outro batendo punheta enquanto esperava a vez. O cheiro de porra e suor impregnava o ar.
Matias, o tenente, mantinha o controle. Mas até ele precisava. Uma noite chamou Diego e Lucas para o camarote dele. Fechou a porta, tirou o uniforme e deixou os dois marinheiros o chuparem ao mesmo tempo, línguas se encontrando no pau dele, bolas sendo chupadas, dedos explorando sua entrada. Quando gozou, jatos grossos caíram no rosto de Diego e no peito de Lucas. Depois deitou os dois na cama estreita e fodeu Diego enquanto Lucas punhetava o pau do tenente, sentindo cada pulsação.
O navio continuou navegando. Quarenta e três dias. Quarenta e quatro. Os homens não falavam sobre isso durante o dia. Mas à noite, quando as luzes baixavam e o oceano batia contra o casco, o som de corpos se encontrando, gemidos abafados e o cheiro de sexo preenchia cada corredor, cada beliche, cada canto escuro.
Eles eram marinheiros. Confinados. Famintos. E o mar não tinha fim.
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